18 de Setembro, 2019

Papa: projetos humanos sempre falham, somente a força de Deus permanece

Na Catequese desta quarta-feira, 18, Francisco afirmou que somente com o Espírito Santo é possível ter coragem para seguir em frente

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral desta quarta-feira (18), realizada na Praça São Pedro, na qual participaram doze mil pessoas.

O tema da catequese do Pontífice foi extraído do Capítulo 3, 39 dos Atos dos Apóstolos: “Cuidado para não se meterem contra Deus! Os participantes do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel”.

Obediência da fé

Francisco relatou que diante da proibição dos judeus de ensinar no nome de Cristo, Pedro e os Apóstolos respondem com coragem que não podem obedecer aos que desejam interromper a viagem do Evangelho no mundo. Segundo o Papa, os Doze mostram que possuem a “obediência da fé” que eles desejam despertar em todas as pessoas. “A partir de Pentecostes, eles deixam de ser pessoas sozinhas. Vivem uma sinergia especial que os descentraliza de si mesmos e os leva a dizer: «nós e o Espírito Santo». Sentem que não podem dizer ‘eu’ sozinho, mas ‘nós’, o «Espírito Santo e nós»”, frisou.

O Pontífice acrescentou que, na força desta aliança, os Apóstolos não se deixam assustar por ninguém. “Tinham uma coragem impressionante. Pensamos que eram covardes: todos fugiram, fugiram quando Jesus foi detido pela polícia. Todos. Mas, passaram de covardes a corajosos. Por quê? Porque o Espírito Santo estava com eles. O mesmo acontece conosco: se tivermos o Espírito Santo dentro nós, teremos a coragem de seguir em frente, a coragem de vencer muitas lutas, não por nós mesmos, mas pelo Espírito que está conosco”, ressaltou.

Os mártires de hoje

Segundo Francisco, os Apóstolos não recuam em sua marcha como testemunhas intrépidas do Ressuscitado, como os mártires de todos os tempos, inclusive este tempo. “Os mártires dão a vida, não escondem que são cristãos. Pensemos, alguns anos atrás, hoje também existem muitos, mas, pensemos nos cristãos coptas ortodoxos verdadeiros, trabalhadores que foram todos degolados na praia da Líbia, quatro anos atrás. A última palavra que disseram foi ‘Jesus, Jesus’. Eles não venderam a fé, porque o Espírito Santo estava com eles. São os mártires de hoje”, recordou.

De acordo com o Papa, os Apóstolos são os megafones do Espírito Santo, enviados por Jesus ressuscitado a difundir com prontidão e sem hesitação a Palavra que salva. Ele explicou que esta determinação deles faz tremer o sistema religioso judaico, que se sente ameaçado e responde com violência e condenações à morte. “A perseguição dos cristãos é sempre a mesma: as pessoas que não querem o cristianismo sentem-se ameaçadas e levam os cristãos à morte. Mas, no Sinédrio, eleva-se a voz de Gamaliel, um fariseu diferente que escolhe conter a reação dos demais, um homem prudente, doutor da lei estimado por todo o povo. Na escola de Gamaliel, São Paulo aprendeu a observar ‘a Lei de nossos pais’, conforme ele diz no Capítulo 22 dos Atos dos Apóstolos. Gamaliel toma a palavra e convida os seus correligionários a exercer a arte do discernimento, diante de situações que excedem os padrões usuais”, relatou.

A força que os homens têm em si não é duradoura

O Santo Padre mostrou, citando alguns personagens que se fingiram Messias, que todo projeto humano pode primeiro receber elogios e depois naufragar, enquanto tudo o que vem do alto e tem a ‘assinatura’ de Deus está destinado a durar. “Os projetos humanos sempre falham; eles têm um tempo, como nós. Pensem em tantos projetos políticos, e como eles mudam de um lado para o outro, em todos os países. Pensem nos grandes impérios, pensemos nas ditaduras do século passado. Sentiam-se poderosos, que podiam dominar o mundo. Depois todos desabaram. Pensem também nos impérios de hoje: desabarão, se Deus não estiver com eles, porque a força que os homens têm em si não é duradoura. Somente a força de Deus permanece. Pensemos na história dos cristãos, incluindo a história da Igreja, com tantos pecados, tantos escândalos, tantas coisas ruins nesses dois milênios. E por que não desabou? Porque Deus está ali. Nós somos pecadores e muitas vezes escandalizamos. Mas Deus está conosco. Deus sempre salva. A força é Deus conosco”, afirmou.

Em sequência, o Pontífice observou que Gamaliel conclui que, se os discípulos de Jesus de Nazaré creram num impostor, são destinados a desaparecer; se ao invés seguem alguém que vem de Deus, é melhor desistir de combatê-los. “Cuidado para não se meterem contra Deus. Ensina-nos a fazer esse discernimento”, sublinhou Francisco.

Hábito do discernimento

O Santo Padre esclareceu que as palavras de Gamaliel são palavras pacatas e sensatas, que permitem ver o evento cristão com uma nova luz. “Tocam os corações e obtêm o efeito desejado: os outros membros do Sinédrio aceitam o seu parecer e renunciam aos propósitos de morte, ou seja, matar os apóstolos”, frisou.

O Papa concluiu a sua catequese, convidando os fiéis a pedirem ao Espírito Santo para agir a fim de que possam “adquirir o hábito do discernimento”. “Que o Espírito Santo nos ajude a ver sempre a unidade da história da salvação através dos sinais da passagem de Deus em nosso tempo e nos rostos daqueles que nos rodeiam, e a aprender que o tempo e os rostos humanos são mensageiros do Deus vivo”, motivou o Santo Padre.


Fonte: Amex, com Vatican News